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A vida é como um rolo de Durex. Muitas vezes é difícil achar a ponta

Círculo vicioso. Giradas ininterruptas. Viradas e mais viradas --nunca de jogo ou de mesa. Perde-se muito perdendo a ponta da fita desse rolo que é a vida. Perde-se a conexão consigo mesmo. E o tempo usado para encontrá-la nunca é gasto. Nunca é desperdiçado. Afinal, o que é a vida senão o desafio diário de mantermos a ponta sempre visível? Façamos estratégias para conservá-la assim. E lancemos mão de técnicas para reencontrá-la, sempre. A internet dá sua contribuição (embora para rolos não tão complicados). Eis algumas formas de encontrar a ponta perdida. 1. Examine o rolo bem de perto. Ou: onde foi que perdemos e/ou deixamos que ultrapassassem o nosso limite? 2. Considere a possibilidade de a ponta não estar tão obviamente reta. Talvez não seja tão fácil assim identificar esse limite. Uma autorreflexão séria e uma conversa franca com o coração podem ser bem-vindas. 3. Passe as pontas dos dedos pelo rolo. Tenhamos tato. Mas que não sejamos tão sensíveis. Encaremos o problema ...

Zumbis

Eles seguem todos de lá pra cá. De lá, da casa deles, pra cá, pro trabalho deles. De lá, cegos pelos seus apegos. Pra cá, aprisionados por seus medos. De lá pra cá. De lá pra cá. Um dia, no meio do caminho, encontraram uma pedra. Uma pedra no meio do caminho. Chutaram pra longe. E pra longe foi a vida deles. Viraram zumbis.

Dalton, K.

Quando conheci Karen, ela tinha uma choro contido na voz. Sua voz era melodiosa, feito barulho de chuva na madrugada. Havia muita dor para cantar. Por isso ela cantava tanto. Tão lindamente.

Calma

Você desconta no trânsito. Desconta no porteiro do prédio. Desconta na comida. Desconta no cigarro. Desconta na bebida. Desconta na sexta-feira. Desconta na segunda-feira. Desconta, desconta, desconta. Calma! E você? Dá um desconto pra você.

Pequenas felicidades

Só uma coisa. Algo simples. Aparentemente banal. Mas que pra você seja importante. Faça pelo menos uma coisa assim no seu dia. E já será uma conquista. O suficiente para animá-lo, encorajá-lo, fortalecê-lo.

Drama

À noite, quando eu chego em casa, tenho meus quinze minutos de drama. O drama de precisar tirar imediatamente tudo o que esteve grudado em mim ao longo do dia. Removo os brincos e o relógio. Troco o sapato pelo chinelo. Jogo longe o sutiã e a calça. Acendo todos os abajures e, por fim, ligo a tevê. Gosto de me sentir livre, de ver minha casa iluminada, de ouvir que não estou sozinha. Vou para a cozinha. Preparo algo para comer. Com o prato em mãos, volto para a sala. O tempo do jornal dura o tempo de eu comer a refeição. Descanso por alguns minutos. Então, me levanto e começo meus novos quinze minutos de drama. O drama de precisar arrumar tudo o que eu desarrumei.

Só algumas horas

De tudo o que te irrita, te entristece, te angustia. De tudo o que te consome, as paixões, os desejos, as vontades. De tudo o que te incomoda, a monotonia, a letargia, a disritmia. Tudo, absolutamente tudo, dura apenas algumas horas. Só algumas horas. Não são horas infinitas. São apenas horas. Contadas no mesmo beat, na mesma velocidade, no mesmo compasso das horas boas. Aliás, e o que são as horas boas, senão o estar presente, integralmente presente, na hora exata, neste instante?