e quando os dias parecem feitos de chocolate vem o dissabor. nesse momento, o alento parece inexistir. então vem a injeção de ânimo. uma dose valorosa aplicada com essa agulha aí, que toca o coração.
há que se tomar cuidado. nada é mais assustador do que as deformações da alma. porque as do corpo, essas são óbvias demais para despertar algum medo. estão ali, visíveis, previsíveis. quanto às outras, não se pode esperar nada delas. as expectativas são dolorosas. e porque são conduzidas, unicamente, pela ignorância.
quando a inspiração tira férias, ela deixa de ser in para se tornar off. e quando isso acontece, meu caro, o que sobra é piração. sim, o sujeito pira porque o suor é dobrado. e aí, tomara que ele tenha um belo de um ar-condicionado.
os funcionários da padaria da esquina estão precisando. os passageiros no metrô, o pessoal do trabalho. todos estão na fila à espera de doadores de amor. se o seu sangue não for do tipo quente, favor entrar em contato. a falta de amor pode matar.
às vezes eu me sinto como um peixinho fora d'água do mundo. e o mundo às vezes não entende que respiro melhor assim, do lado de fora. os que entendem são poucos. e nem são peixinhos. são amigos.
- Eu não entendo. Você ainda me ama, não é? - Sim, muito. - Mesmo depois de tudo o que eu disse? - Mesmo. - Mesmo depois de tudo o que eu fiz, não mudou nada? - Nada. - Então o que mudou?! - O meu amor por mim.
Quando a gente cresce, sem querer a gente esquece que brincar é verbo de infância. Que os carros já não são mais de plástico. Que as pessoas não são bonecos. E a gente machuca e se machuca. Faz cara de manha. De choro. E chora. E de novo, sem querer, a gente esquece que tudo é mais leve do que se parece.