- Eu não entendo. Você ainda me ama, não é? - Sim, muito. - Mesmo depois de tudo o que eu disse? - Mesmo. - Mesmo depois de tudo o que eu fiz, não mudou nada? - Nada. - Então o que mudou?! - O meu amor por mim.
Quando a gente cresce, sem querer a gente esquece que brincar é verbo de infância. Que os carros já não são mais de plástico. Que as pessoas não são bonecos. E a gente machuca e se machuca. Faz cara de manha. De choro. E chora. E de novo, sem querer, a gente esquece que tudo é mais leve do que se parece.
Ah, meu coração. Será que ele aguenta? Será que vai dar conta? Será que em algum momento, de tanto correr assim, acelerado, não vai se cansar? E então cansado, querer descansar? Nada mais justo, não é mesmo? Não, não. É injusto.
Os egoístas são tão solitários. Talvez porque queiram mesmo. Talvez porque ser o umbigo do mundo seja a grande ambição. Mas talvez também porque não sabem que são assim, tão solitários. Porque se soubessem, talvez despertariam na dor. E ao contrário do que pensam, talvez seja simples não ser mais assim. Talvez seja tão fácil como trocar o t pelo d. Mas aí, de solitário para solidário, não seriam mais egoístas.