O meu tempo de entender as coisas tem bem mais que uns dias e algumas horas extras. No entanto, sempre chega a tempo e num horário que não ultrapassa a meia-noite.
No meio do meu caminho há sempre alguma sorte. Ou anjos. De qualquer maneira, da treva ao trevo eu chego, de mãos dadas. Então, meu corpo pode finalmente alcançar meu coração. E a você, toda minha gratidão.
As minhas músicas me aproximam de você. É como se eu pudesse abraçá-lo, mesmo sem poder vê-lo. É como se a sutil fronteira que nos separa se tornasse transponível, e eu pudesse sentir sua presença de maneira muito maior. Mesmo que o mundo possa finalmente me escutar, é para você que eu sempre vou tocar.
Ando por aí como se em meio a gravidade zero. Deixo-me levar flutuante para algum lugar que me distraia. Ando para não desandar. Porque o que eu sinto não tem cura, não tem remédios, não tem lugares, não tem pessoas. Eu sinto saudade. Muita saudade.
Em despedidas não se pode esperar mais do que saudades. No tchau, o até breve se torna um intervalo infinito de tempo que não faz mais do que doer o coração. Porque onde há amor, há muita dor. Uma dor enorme, com mais de mil quilômetros de comprimento.