O e-mail fica aberto para que alguma esperança respire. A espera só faz lembrar meu exagero de cadastros em sites aparentemente interessantes, os quais não se cansam de me enviar mensagens imbatíves de promoção. Eles lembram de mim. Mas e ele? Será que me esqueceu? E se lembra, por que a demora? Para que tanto suspense? Opa, chegou um e-mail. Preciso ver. Até mais.
Particípio mais-que-perfeito
Às vezes é difícil perceber o óbvio. O óbvio é claro demais, e a gente precisa mesmo do escuro pra tentar enxergar alguns detalhes com mais clareza. O problema é ver o mundo cor-de-rosa quando se é daltônico. Aí, enquanto você sorri para o mundo, o mundo ri de você. E foi assim, tentando fazer a coisa certa que fiz do jeito mais errado que existia. Tudo se perdeu pelo caminho e ele, que era para ser futuro, virou passado. Mas um passado difícil de ser esquecido e ruim de ser lembrado. Virou particípio. Porque podíamos ter ficado juntos. Podíamos ter dado certo. Podíamos ter casado. Podia ter sido o homem da minha vida. Verbalizar uma vontade nem sempre é gramaticalmente correto. Porque você pode conjugar um verbo no tempo errado. O que você acha que será às vezes já foi há muito tempo ou, ainda, não-era-pra-ser. Você ainda pode, seguramente, querer conjugar um verbo irregular. Mas, meu caro, debalde. Não adianta forçar sentimento. Nem para o melhor deles, que é o amor. Você, que sempre...
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